Não como é contigo, mas eu faço sempre expectativas demasiado elevadas para as pessoas e acabo sempre por me desiludir. Fico expectante para ver o que poderá acontecer a seguir. Mas as pessoas falham, não é verdade? São imperfeitas e (grande parte delas) falsas.
É capaz de parecer um tanto estranho só me ter dado ao trabalho de pensar numa coisa destas agora, mas eu sou mesmo assim, uma despassarada!
No outro dia sentei-me num daqueles banquinhos do shopping, rodeada e gente aos encontrões, mães estafadas a gritar com os seus rebentos, raparigas histéricas inundadas em sacos de compras e eu observava-os, àqueles perfeitos estranhos, tentando perceber o que lhes estaria a passar pela cabeça. Reparei num senhor de idade, deveria ter uns 70 anos, que estava encostado á parede alguns metros á minha frente. As pessoas evitavam-no. Havia adolescentes a rir quando passavam por ele, mães a puxar os filhos para si com medo que o estranho lhes tocasse… A verdade, é que o senhor tinha mau aspecto. Umas calças azul petróleo muito velhas, camisola de malha vermelha desbotada e um casaco que parecia, em tempos, ter sido alvo de tiros e, para minha surpresa e a contrastar com o panorama deteriorante, uns belos sapatos envernizados em castanho com aspecto de terem apenas alguns dias. Cativou-me, o estranho homem dos sapatos de verniz, não sei porquê, mas aquela perecia a pessoa mais normal no meio da multidão que fluía à minha volta.
Estava imensa gente, era um espaço bastante grande e mesmo assim tornava-se quase claustrofóbico. Raparigas com vestidos coloridos e berrantes, rapazes com corpos esculturais e óculos de sol que quase lhes tapavam a cara de tão grandes, mas todos continuavam a reparar mais no pobre velhote… Porque seria assim? Certamente por causa do seu aspecto ou da sua ousadia em usar tal indumentária.
Será que eu também me confundo com a multidão? Ou serei eu como o senhor dos sapatos brilhantes? Sinceramente, escolheria a segunda hipótese. Acho que é por isso que todos param a olhar para o velhote, porque ele sobressai! Não se deixa misturar na multidão, quer que todos saibam que ele está ali. Todos deviam parar para pensar nestas coisas, apreciar as situações que se desenrolam á nossa volta. O mundo anda sempre numa correria frenética, as pessoas não param na ânsia de alcançar o topo primeiro que todos os outros, e no processo: pisam-se vidas, magoam-se corações, partem-se sonhos… E acabamos sempre por morrer na tenra idade, infelizes, mesmo continuando a viver, não passamos de bonecas de trapos com as tranças cortadas e fantoches de fios emaranhados.
As pessoas são falsas, misturam-se, querem passar despercebidas nas suas vidinhas miseráveis. Mas ele não, e eu invejo-o por isso. Está ali, feliz da vida, na sua imagem desprovida de modas ou outros vírus contagiosos da sociedade consumista em que vivemos.
Como te invejo, Homem Valente! Quem me dera ser como tu…
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