Tenho várias almas dentro de mim. Em cada olhar há um sem número de entidades a lutar pelo protagonismo; em cada sorriso outras tantas querendo dar um pouco de si. Dizem os entendidos na matéria que é assim que nós, ascendentes de gémeos, somos; seres com várias personalidades que coabitam entre si. “Um signo que vale por dois...bem no mínimo, pois bem poderiam ser trigémeos ou quadrigémeos. Quantos mais vierem é lucro!”.
15 de setembro de 2011
Bem-me-quer, mal-me-quer,
Tenho várias almas dentro de mim. Em cada olhar há um sem número de entidades a lutar pelo protagonismo; em cada sorriso outras tantas querendo dar um pouco de si. Dizem os entendidos na matéria que é assim que nós, ascendentes de gémeos, somos; seres com várias personalidades que coabitam entre si. “Um signo que vale por dois...bem no mínimo, pois bem poderiam ser trigémeos ou quadrigémeos. Quantos mais vierem é lucro!”.
12 de outubro de 2010
5 de junho de 2010
~tired*
30 de maio de 2010
uma caixinha de sete palmos, duas rosas e as tuas cartas*
Ela seguia sozinha pelas ruas apinhadas de gente, com os braços pendidos num gesto de fadiga; lânguida como uma morta, ténue como uma morta, mais morta que a própria morte.
Esperou por ele, manhãs após manhãs, por tardes infinitas; mas ele não aparecera. E ela ficara ali sentada, na caixinha de madeira; e continuaria a esperar pelos séculos dos séculos, sem nunca se cansar; sem nunca dar ouvidos aos outros que por ela passavam, dizendo que ele nunca voltaria, que o Amor não se encontra porque ele nunca volta. Mas ela cansou-se de esperar; cansou-se de ouvi-los e remou contra a corrente. Alegre, cantarolando bem-me-queres e violetas, viu passar por si todos os que também o buscaram, ao Amor. Viu-os penderem os braços, num gesto de fadiga; lânguidos como mortos, ténues como mortos, mais mortos que a própria morte. Ouviu-os dizer que esse Amor, de que todos falam, não se procura porque ele é que nos encontra e quando parte, nunca volta.
Mas ela foi. Procurou, pelos séculos dos séculos, pela eternidade efémera; até que os também os seus braços começaram a pender, acusando a fadiga; a sua pele tornou-se branca, lânguida como a deles. Tornou-se não mais do que uma sombra ténue, esvaecida; ficou também ela mais morta que a própria morte.
Agora ela vagueia sozinha nas ruas apinhadas de gente, com os braços pendidos num gesto de fadiga; lânguida como uma morta, ténue como uma morta, mais morta que a própria morte. Já não procura o Amor, esse irreverente companheiro; aprendeu que ele não se procura porque quando parte, nunca volta.
24 de maio de 2010
hoje acordei assim..
19 de maio de 2010
ha uma música que me faz lembrar de ti♥
“Não é algo material isso que tu és; não pode ser descrito nem por mil palavras, nem com todas as palavras do infinito se conseguiria. Mas eu tentei; eu tentei perceber o que tu és, desvendar esse teu pequeno mistério; e raios se não consegui! Fui a única, disseste tu uma noite, que alguma vez te conseguiu acalmar a meio de uma crise, aquela que te fez ouvir a voz da razão quando tu nunca lhe dás ouvidos; não sei bem o que és na verdade, mas eu encarei-te como o meu “pobre bebé”, o meu cachorrinho abandonado; pelo menos no principio…depois a coisa complicou-se. Deve ter sido o teu cheiro, ou a tua maneira de franzir o nariz sempre que sorris…
Não é algo material isso que tu és, não pode ser. Aposto que és um Deus, não um meu semelhante.”
Voltou a abraçar-me e acariciar-me o cabelo enquanto eu bebia o copo gigante com água.
-Já estiveste em Paris?; disse meio distraída enquanto olhava o frigorífico cheio de pequenos magnetos colados aleatoriamente.
-Não, foi o meu pai e a minha madrasta. Mas adorava lá ir um dia, dizem que é uma cidade fantástica para umas férias a dois.
Vira-me para si e crava nos meus os seus olhos profundos, onde horizontes sem fim se traçam de lés a lés e qualquer marinheiro poderia navegar sem medo de perder o norte.
As pequenas rugas que faz no nariz quando sorri foram das primeiras coisas que no seu rosto me chamou a atenção. Tem os traços muito firmes, muito geometricamente definidos, um queixo cortado um nada saliente. Tem os traços do rosto arquitectonicamente desenhados, excepto aqueles franzidos que faz no nariz quando sorri. Foi das primeiras coisas que reparei porque são as rugazinhas que o humanizam e me lembram que estou a segurar um mero mortal, meu semelhante.
Preparamos omeletas com salada e limonada, como que tentando tornar estas raras experiências o nosso quotidiano. Desafia-me a provar o limão com os dentes, corto meio para o sumo. Seduz-me com a naturalidade com que brinca com a comida que cozinha. Corta pão, frita ovos, junta orégãos para ficar mais picante, é o que diz. Pede-me o iogurte natural da porta do frigorífico, que geme de cada vez que nela força se faça. Continuou a juntar ingredientes surpresa, que mais tarde descobri serem hortelã e gengibre, e passou tudo pela varinha mágica. Eu olhava-o pelo canto do olho, enquanto cortava pepinos em dados e um tomate a meio. Misturamos tudo num prato de serviço fundo e sob as omeletas jorramos o molho de iogurte. Passou um dedo na beira do copo da varinha mágica, tocou-me nos lábios, sujando-os com a pasta que cobre o nosso jantar.
- Provo eu ou provas tu?
De novo aquelas maliciosas rugas espreitando por detrás do seu nariz. O seu bonito rosto firme, a quatro segundos do meu. Agora a três, agora a dois. Avanço mais um pequenino passo do seu corpo alto; o seu lindo rosto firme a um segundo do meu.
- Prova tu.
Trinca-me levemente o lábio inferior. Uma, duas vezes. Saboreia o iogurte com os seus lábios, nos meus. Tremem-me as mãos que seguram o prato de serviço fundo. Afasta-se suavemente da minha boca, encosta a sua geométrica testa na minha.
- Há alguma coisa errada? Exageramos na gengibre?
Toca-me levemente no pulso esquerdo, apressa-se a responder-me:
- Não, não, está tudo certo.
Pelo final do jantar está o prato de serviço vazio e acompanha-o a jarra de sumo de limão com vodca, tenho que admitir. Está agradável a conversa, um pouco apimentada, como o seria de esperar da companhia e do álcool. Sente-se um leve calor, uma ardência no corpo como malaguetas no tempero. Levanta-se com a solenidade de um músico, eleva o meu corpo consigo em gestos rápidos. A louça cai no chão, arrastada por braços esperneando e parte-se silenciosa na carpete da sala. Ouvem-se apenas as nossas respirações pesadas; tem-me nua na mesa. Mergulha o seu bonito rosto firme abaixo do meu queixo, beija-me o pescoço e o peito. Cravei as minhas unhas nas suas costas largas e soltei um uivo de fazer inveja à porta do frigorífico. Nessa noite fiz amor com um Deus como se fizesse disso o meu quotidiano e não houve traço que me lembrasse de que se tratou de um mero mortal, meu semelhante.
day 05 A song that reminds you of someone
25 de abril de 2010
fora do meu mundo
3 de setembro de 2009
Conversas de xaxa...

-É o triste facto da vida: não podemos molda-la a nosso bel-prazer...
-Mas devíamos...
-Bem, talvez... Mas depois não teríamos o elemento surpresa e a satisfação de poder dizer: "Eu lutei contra a corrente e venci!".
-Yap, és capaz de ter razão, como sempre...! Caraças! Importas-te de parar de ser tão inteligente? Até metes nojo moçinho...
O mundo não desfalece! Nós é que ficamos pitósgas...! Uma visitinha ao "oftalmologista" e umas lentes de contacto depois, ficamos a ver tudo direitinho outra vez...
11 de agosto de 2009
Miragens
É capaz de parecer um tanto estranho só me ter dado ao trabalho de pensar numa coisa destas agora, mas eu sou mesmo assim, uma despassarada!
No outro dia sentei-me num daqueles banquinhos do shopping, rodeada e gente aos encontrões, mães estafadas a gritar com os seus rebentos, raparigas histéricas inundadas em sacos de compras e eu observava-os, àqueles perfeitos estranhos, tentando perceber o que lhes estaria a passar pela cabeça. Reparei num senhor de idade, deveria ter uns 70 anos, que estava encostado á parede alguns metros á minha frente. As pessoas evitavam-no. Havia adolescentes a rir quando passavam por ele, mães a puxar os filhos para si com medo que o estranho lhes tocasse… A verdade, é que o senhor tinha mau aspecto. Umas calças azul petróleo muito velhas, camisola de malha vermelha desbotada e um casaco que parecia, em tempos, ter sido alvo de tiros e, para minha surpresa e a contrastar com o panorama deteriorante, uns belos sapatos envernizados em castanho com aspecto de terem apenas alguns dias. Cativou-me, o estranho homem dos sapatos de verniz, não sei porquê, mas aquela perecia a pessoa mais normal no meio da multidão que fluía à minha volta.
Estava imensa gente, era um espaço bastante grande e mesmo assim tornava-se quase claustrofóbico. Raparigas com vestidos coloridos e berrantes, rapazes com corpos esculturais e óculos de sol que quase lhes tapavam a cara de tão grandes, mas todos continuavam a reparar mais no pobre velhote… Porque seria assim? Certamente por causa do seu aspecto ou da sua ousadia em usar tal indumentária.
Será que eu também me confundo com a multidão? Ou serei eu como o senhor dos sapatos brilhantes? Sinceramente, escolheria a segunda hipótese. Acho que é por isso que todos param a olhar para o velhote, porque ele sobressai! Não se deixa misturar na multidão, quer que todos saibam que ele está ali. Todos deviam parar para pensar nestas coisas, apreciar as situações que se desenrolam á nossa volta. O mundo anda sempre numa correria frenética, as pessoas não param na ânsia de alcançar o topo primeiro que todos os outros, e no processo: pisam-se vidas, magoam-se corações, partem-se sonhos… E acabamos sempre por morrer na tenra idade, infelizes, mesmo continuando a viver, não passamos de bonecas de trapos com as tranças cortadas e fantoches de fios emaranhados.
As pessoas são falsas, misturam-se, querem passar despercebidas nas suas vidinhas miseráveis. Mas ele não, e eu invejo-o por isso. Está ali, feliz da vida, na sua imagem desprovida de modas ou outros vírus contagiosos da sociedade consumista em que vivemos.
Como te invejo, Homem Valente! Quem me dera ser como tu…
7 de julho de 2009
Mas então…. E se eu… deixa-me falar!!!
A pequenina, sentada num banco de jardim, olha para mim como se eu
tivesse um letreiro luminoso na testa a dizer: “Hei, olhem para mim! Sou maluca!”, OH NÃO, fui descoberta!… Pois é, eu sou maluca, ou não… Talvez seja só uma alma incompreendida, á espera que uma menina a compreenda e lhe diga que não é maluca, só uma bocado imaginativa demais… Oh querida, não olhes assim para mim! Estás a deixar-me embaraçada, vais fazer-me correr como uma louca outra vez… NÃO! Não te aproximes! Oh, agora vais ficar contagiada pela minha idiotice! O que queres? Um doce? Esses teus sapatos são tão lindos…! E os teus olhos, MEU DEUS, parecem ser feitos de canela!!! Vai corre! Sê livre! Sê uma louca sem sentido de normalidade como eu! Tu és criança, ninguém vai notar se tu fizeres maluquices… Vai, sê feliz por mim. Vive os anos de glória que eu perdi por tentar que os outros não me achassem doida… Vai, criança dos sapatos de rebuçado, saboreia o mundo, e depois volta para me dizeres como foi…!


