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22 de maio de 2010

árvores do alentejo



Horas mortas… Curvada aos pés do monte
A planície é um brasido… e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a bênção duma fonte!

E quando, manhã alta, o sol posponte
A ouro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!

Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!

Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
- Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota d´água!

Florbela Espanca

Day 06 A song that reminds you of somewhere



se voltasse a acontecer, faria tudo da mesma maneira.
girls just wanna have fun!!!

5 de julho de 2009

A uma gota de chuva


Quem me dera ser como tu, assim...
Correr o mundo a brincar,
Sempre a sorrir, a cantar,
Sem jamais avistar um fim.

Esse teu cheirinho a alecrim,
Tão agridoce, poder saborear.
Poder ser rainha sem nada governar,
Conheçer cada pedaçinho de terra, enfim...

Ir, sem medo, por esses lados desconhecidos,
Mesmo sem ter asas, a voar,
Como esses, pela mãe suprema, enternecidos!

E não ter medo de sonhar.
Poder espreitar nos segredos escondidos,
Em cada alma, a gotejar...!

Alma gémea

Não posso comparar-me a ti
Minha poetiza adorada!
Pois minh'alma desesperada,
Só por ler-te, já sorri...

Poetiza de meus versos!
Inspiração de meus lamentos!
Princesa de meus desalentos!
Aconchego do meu coração!

Posso fazer parte do teu rútilo castelo?
Do teu reino de quimeras mil,
Coberto pelo céu azul e belo?

E tua torre de névoa, podes abri-la para mim?
Para que juntas vejamos o denegrir das mágoas,
O princípio do nosso fim...!