Mostrar mensagens com a etiqueta ~(foste) tudo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ~(foste) tudo. Mostrar todas as mensagens

19 de novembro de 2010

Hurt at first, a little bit, but now I'm over it.


As mãos tremiam-lhe e não conseguia abrir a boca; sabia exactamente a dificuldade que teria para articular as palavras correctamente, sabia como os olhos se lhe iam encher de lágrimas quando ele lhe confirmasse tudo, ela sabia. O coração batia-lhe, descompassado, com tanta intensidade que lhe causava dor, mas ela sabia por antecipação que tudo isso ia acontecer. Ela soubera não por ele mas por outros; e tudo o que sentia agora era raiva. Ela sabia, mas não porque ele se preocupara em dizer-lhe, e se dependesse dele, nem saberia. Depois de tanto tempo, mesmo que a raiva estivesse a remoê-la por dentro, ela precisava de fazê-lo, falar-lhe, vê-lo outra vez. Seria inevitável, mais tarde ou mais cedo teria de ser e se há coisa que ela não consegue, é ficar calada. Tinha que ser. Nunca iria conseguir conter-se, as meias palavras não fazem parte do seus vocabulário, ás vezes é vaga demais, ás vezes deixa-se controlar demasiado pelas emoções; respirou fundo – porque a voz dele sempre conseguiu tirá-la do sério - “estou?” de repente ficou com um nó na garganta. Ele não se perdia nas palavras enquanto falava, não tremia, as palavras não brilhavam enquanto tentava parecer culto ao contar as coisas, ele não estava concentrado nela, nem sequer estava nervoso, muito menos aparentava dor. Ela era-lhe indiferente.

Não aguentou por muito tempo, pois claro. Não lhe era impingido que permanecesse com o telemóvel ligado, não era sequer como uma conversa cara a cara, ela podia simplesmente desligar-lhe e ponto. Desligou. As lágrimas começaram a jorrar-lhe pelas faces, já não era raiva que sentia; a dor de sentir que já nada existia sobrepunha-se a qualquer coisa. Então lembrou-se. Lembrou-se de todo o caminho que percorreram, em tão pouco tempo. Lembrou-se do quanto ele era fraco e de como ela aguentou tudo sozinha. Lembrou-se de o ver ir-se embora inúmeras vezes e logo depois voltar outras tantas, sempre com as mesmas palavras doces e intensas que lhe davam sempre a volta. Lembrou-se de estar sempre do lado dele, disposta a correr riscos e transpor qualquer obstáculo para poder estar com ele. Lembrou-se de como se preocupava com ele, enquanto ele se preocupava apenas consigo próprio. Lembrou-se de o ver chegar inúmeras vezes só para poder voltar a partir. Lembrou-se de que sempre estivera ali, á espera, enquanto ele oscilava, indo e vindo. E no fim, lembrou-se que ela foi superior, sempre lá, a cumprir as promessas e a ser sempre sincera, coisas que não estavam na natureza dele. E, então, deu-se conta de que quem desiste sem conhecer o fim não merece guardar as memórias do caminho.



tenho uma condição si ne qua non, ou explicas tudo correctamente ou nem vale a pena tentares dizer mais nada.


14 de novembro de 2010

A,

just because you said sorry
doesn't mean it never hapened,

30 de maio de 2010

uma caixinha de sete palmos, duas rosas e as tuas cartas*

Ela seguia sozinha pelas ruas apinhadas de gente, com os braços pendidos num gesto de fadiga; lânguida como uma morta, ténue como uma morta, mais morta que a própria morte.

Esperou por ele, manhãs após manhãs, por tardes infinitas; mas ele não aparecera. E ela ficara ali sentada, na caixinha de madeira; e continuaria a esperar pelos séculos dos séculos, sem nunca se cansar; sem nunca dar ouvidos aos outros que por ela passavam, dizendo que ele nunca voltaria, que o Amor não se encontra porque ele nunca volta. Mas ela cansou-se de esperar; cansou-se de ouvi-los e remou contra a corrente. Alegre, cantarolando bem-me-queres e violetas, viu passar por si todos os que também o buscaram, ao Amor. Viu-os penderem os braços, num gesto de fadiga; lânguidos como mortos, ténues como mortos, mais mortos que a própria morte. Ouviu-os dizer que esse Amor, de que todos falam, não se procura porque ele é que nos encontra e quando parte, nunca volta.

Mas ela foi. Procurou, pelos séculos dos séculos, pela eternidade efémera; até que os também os seus braços começaram a pender, acusando a fadiga; a sua pele tornou-se branca, lânguida como a deles. Tornou-se não mais do que uma sombra ténue, esvaecida; ficou também ela mais morta que a própria morte.

Agora ela vagueia sozinha nas ruas apinhadas de gente, com os braços pendidos num gesto de fadiga; lânguida como uma morta, ténue como uma morta, mais morta que a própria morte. Já não procura o Amor, esse irreverente companheiro; aprendeu que ele não se procura porque quando parte, nunca volta.

23 de maio de 2010

nó de salvamento

"i love the way you hold me tight,
and never let me say no..
i love the way you always get it right,
even when you let me go."



fazes-me falta Nuno, meu rapaz
. Mas eu hei-de sobreviver.


day 07 a song that reminds me of a certain event




tenho saudades das nossas tardes.

19 de maio de 2010

ha uma música que me faz lembrar de ti♥


“Não é algo material isso que tu és; não pode ser descrito nem por mil palavras, nem com todas as palavras do infinito se conseguiria. Mas eu tentei; eu tentei perceber o que tu és, desvendar esse teu pequeno mistério; e raios se não consegui! Fui a única, disseste tu uma noite, que alguma vez te conseguiu acalmar a meio de uma crise, aquela que te fez ouvir a voz da razão quando tu nunca lhe dás ouvidos; não sei bem o que és na verdade, mas eu encarei-te como o meu “pobre bebé”, o meu cachorrinho abandonado; pelo menos no principio…depois a coisa complicou-se. Deve ter sido o teu cheiro, ou a tua maneira de franzir o nariz sempre que sorris…
Não é algo material isso que tu és, não pode ser. Aposto que és um Deus, não um meu semelhante.”

Voltou a abraçar-me e acariciar-me o cabelo enquanto eu bebia o copo gigante com água.
-Já estiveste em Paris?; disse meio distraída enquanto olhava o frigorífico cheio de pequenos magnetos colados aleatoriamente.
-Não, foi o meu pai e a minha madrasta. Mas adorava lá ir um dia, dizem que é uma cidade fantástica para umas férias a dois.
Vira-me para si e crava nos meus os seus olhos profundos, onde horizontes sem fim se traçam de lés a lés e qualquer marinheiro poderia navegar sem medo de perder o norte.
As pequenas rugas que faz no nariz quando sorri foram das primeiras coisas que no seu rosto me chamou a atenção. Tem os traços muito firmes, muito geometricamente definidos, um queixo cortado um nada saliente. Tem os traços do rosto arquitectonicamente desenhados, excepto aqueles franzidos que faz no nariz quando sorri. Foi das primeiras coisas que reparei porque são as rugazinhas que o humanizam e me lembram que estou a segurar um mero mortal, meu semelhante.
Preparamos omeletas com salada e limonada, como que tentando tornar estas raras experiências o nosso quotidiano. Desafia-me a provar o limão com os dentes, corto meio para o sumo. Seduz-me com a naturalidade com que brinca com a comida que cozinha. Corta pão, frita ovos, junta orégãos para ficar mais picante, é o que diz. Pede-me o iogurte natural da porta do frigorífico, que geme de cada vez que nela força se faça. Continuou a juntar ingredientes surpresa, que mais tarde descobri serem hortelã e gengibre, e passou tudo pela varinha mágica. Eu olhava-o pelo canto do olho, enquanto cortava pepinos em dados e um tomate a meio. Misturamos tudo num prato de serviço fundo e sob as omeletas jorramos o molho de iogurte. Passou um dedo na beira do copo da varinha mágica, tocou-me nos lábios, sujando-os com a pasta que cobre o nosso jantar.
- Provo eu ou provas tu?
De novo aquelas maliciosas rugas espreitando por detrás do seu nariz. O seu bonito rosto firme, a quatro segundos do meu. Agora a três, agora a dois. Avanço mais um pequenino passo do seu corpo alto; o seu lindo rosto firme a um segundo do meu.
- Prova tu.
Trinca-me levemente o lábio inferior. Uma, duas vezes. Saboreia o iogurte com os seus lábios, nos meus. Tremem-me as mãos que seguram o prato de serviço fundo. Afasta-se suavemente da minha boca, encosta a sua geométrica testa na minha.
- Há alguma coisa errada? Exageramos na gengibre?
Toca-me levemente no pulso esquerdo, apressa-se a responder-me:
- Não, não, está tudo certo.
Pelo final do jantar está o prato de serviço vazio e acompanha-o a jarra de sumo de limão com vodca, tenho que admitir. Está agradável a conversa, um pouco apimentada, como o seria de esperar da companhia e do álcool. Sente-se um leve calor, uma ardência no corpo como malaguetas no tempero. Levanta-se com a solenidade de um músico, eleva o meu corpo consigo em gestos rápidos. A louça cai no chão, arrastada por braços esperneando e parte-se silenciosa na carpete da sala. Ouvem-se apenas as nossas respirações pesadas; tem-me nua na mesa. Mergulha o seu bonito rosto firme abaixo do meu queixo, beija-me o pescoço e o peito. Cravei as minhas unhas nas suas costas largas e soltei um uivo de fazer inveja à porta do frigorífico. Nessa noite fiz amor com um Deus como se fizesse disso o meu quotidiano e não houve traço que me lembrasse de que se tratou de um mero mortal, meu semelhante.

day 05 A song that reminds you of someone





6 de fevereiro de 2010

palavras que nunca te direi;

"Dóis-me.~
foi ainda ontem, a última vez que pude ver os teus olhos mas o ínfimo tempo que passou parece-me já um suplicio no purgatório... porque partiste afinal? porque é que escolheste sair do meu lado e deixar o mundo inteiro em cima dos meus ombros? porquê?! explica-me,vá! Diz o que foi que te levou a (querer) esquecer tudo o que passamos, és o meu mundo, tu sabes disso, e prometeste nunca me magoar. Tu disseste que nunca farias nada que me fizesse chorar, lembras? tu disseste, disseste sim senhor! Mas então não percebo: ou tu és vil e cínico ou eu estive todo este tempo, permanentemente drogada...
doce ironia... disseste-me a tua princesa, a musa que inspirava as tuas utopias, a felina protagonista das tuas fantasias mais promíscuas... mentias aí também? mentias sim.. e eu vergava-me face à doçura dessas mentiras, obrigavas-me a rastejar ingénuamente a teus pés... eu beijo o chão que pisas! e venero-te (ou venerava), porque é que destruiste todas as minhas fantasias? porque é que derrubaste todos os meus muros de orgulho só para depois me deixar desprotegida? queres magoar-me? foi esse o teu objectivo desde inicio ou foi algo que eu fiz? não entendo, juro que não.. eu fiz de tudo para te agradar, dei-te tudo o que era meu por direito natural e agora tu partes; atiras-me ao mar, como faz o vento à areia da praia... já gostaste de mim enquanto eu estava bonitinha lá em cima, no penhasco mas depois, quando caí na praia da rotina, foste-me soprando, lentamente, para a beira da água, até que te cansaste de soprar por mim e pronto. um último olhar, três últimas palavras proferidas pela minha boca pequena, tua e tu nem te importaste; uma lufada final e lá fui eu, com as ondas, para o fundo horizonte.
mas mesmo descartando-me tu não me deixas! vais soprando, de quando em vez, as ondas á minha volta e agitas o mundo novo que agora também é meu... fazes-me lembrar de ti, de mansinho, como quem quer recordar-me que ainda existes, que ainda mexes comigo...
~Dóis-me.
torturas a minha alma de cada vez que o fazes. mas não consigo arrancar-te de mim. foste como o perfume das laranjas; apareceste muito apelativo e cheiroso, eu gostei de ti e começei a descascar-te. deixei-me envolver por esse perfume doce e sedutor; e foste-te entranhando em mim; obstruiste cada poro do meu corpo, cobriste cada cabelo, cada ínfima parte de mim. sou tua, irrevogávelmente...
vou sentir tanta falta.
tirares-me esse teu odor é como arrancares um pedaço de mim. mas sabes o que dói mais? dói pensar que foste compositor em mim. foste a briza no meu corpo, entraste e mudaste completamente a minha melodia; moldaste-a a teu gosto e não a terminaste, fizeste dela outra daquelas pseudo-obras primas, inacabadas, neste caso não porque o génio morreu, mas porque se cansou da música...
não vou mais ouvir o teu olhar doce enquanto me consolas, nem sentir o teu sorriso caloroso nos fins de tarde. não vou não...
tu mudaste-me, fizeste-me tua e agora já não existo sem ti; agora sou apenas uma sombra sem dono, incompleta, que procura desesperadamente o seu objecto mas, bem lá no fundo, sabe que não mais o encontrará...
não me abraces, não me beijes, não quero mais que me faças tua; pára, não posso ouvir a tua voz... eu amo-te, tu sabes, já to disse milhentas vezes, mas deixa-me; por favor. "



é impressionante as coisas que se escrevem nas aulas de química, poças! :')


hoje, é um novo começo. ainda vais ouvir falar muito de mim; mas já não estarei do teu lado; estarei a milhas do teu mundo em paz com todos e unida á Terra.
hoje descobri um novo eu; ele chama-se M <3


obrigada por tudo.