foi ainda ontem, a última vez que pude ver os teus olhos mas o ínfimo tempo que passou parece-me já um suplicio no purgatório... porque partiste afinal? porque é que escolheste sair do meu lado e deixar o mundo inteiro em cima dos meus ombros? porquê?! explica-me,vá! Diz o que foi que te levou a (querer) esquecer tudo o que passamos, és o meu mundo, tu sabes disso, e prometeste nunca me magoar. Tu disseste que nunca farias nada que me fizesse chorar, lembras? tu disseste, disseste sim senhor! Mas então não percebo: ou tu és vil e cínico ou eu estive todo este tempo, permanentemente drogada...
doce ironia... disseste-me a tua princesa, a musa que inspirava as tuas utopias, a felina protagonista das tuas fantasias mais promíscuas... mentias aí também? mentias sim.. e eu vergava-me face à doçura dessas mentiras, obrigavas-me a rastejar ingénuamente a teus pés... eu beijo o chão que pisas! e venero-te (ou venerava), porque é que destruiste todas as minhas fantasias? porque é que derrubaste todos os meus muros de orgulho só para depois me deixar desprotegida? queres magoar-me? foi esse o teu objectivo desde inicio ou foi algo que eu fiz? não entendo, juro que não.. eu fiz de tudo para te agradar, dei-te tudo o que era meu por direito natural e agora tu partes; atiras-me ao mar, como faz o vento à areia da praia... já gostaste de mim enquanto eu estava bonitinha lá em cima, no penhasco mas depois, quando caí na praia da rotina, foste-me soprando, lentamente, para a beira da água, até que te cansaste de soprar por mim e pronto. um último olhar, três últimas palavras proferidas pela minha boca pequena, tua e tu nem te importaste; uma lufada final e lá fui eu, com as ondas, para o fundo horizonte.
mas mesmo descartando-me tu não me deixas! vais soprando, de quando em vez, as ondas á minha volta e agitas o mundo novo que agora também é meu... fazes-me lembrar de ti, de mansinho, como quem quer recordar-me que ainda existes, que ainda mexes comigo...
~Dóis-me.
torturas a minha alma de cada vez que o fazes. mas não consigo arrancar-te de mim. foste como o perfume das laranjas; apareceste muito apelativo e cheiroso, eu gostei de ti e começei a descascar-te. deixei-me envolver por esse perfume doce e sedutor; e foste-te entranhando em mim; obstruiste cada poro do meu corpo, cobriste cada cabelo, cada ínfima parte de mim. sou tua, irrevogávelmente...
vou sentir tanta falta.
tirares-me esse teu odor é como arrancares um pedaço de mim. mas sabes o que dói mais? dói pensar que foste compositor em mim. foste a briza no meu corpo, entraste e mudaste completamente a minha melodia; moldaste-a a teu gosto e não a terminaste, fizeste dela outra daquelas pseudo-obras primas, inacabadas, neste caso não porque o génio morreu, mas porque se cansou da música...
não vou mais ouvir o teu olhar doce enquanto me consolas, nem sentir o teu sorriso caloroso nos fins de tarde. não vou não...
tu mudaste-me, fizeste-me tua e agora já não existo sem ti; agora sou apenas uma sombra sem dono, incompleta, que procura desesperadamente o seu objecto mas, bem lá no fundo, sabe que não mais o encontrará...
não me abraces, não me beijes, não quero mais que me faças tua; pára, não posso ouvir a tua voz... eu amo-te, tu sabes, já to disse milhentas vezes, mas deixa-me; por favor. "
é impressionante as coisas que se escrevem nas aulas de química, poças! :')
hoje, é um novo começo. ainda vais ouvir falar muito de mim; mas já não estarei do teu lado; estarei a milhas do teu mundo em paz com todos e unida á Terra.
hoje descobri um novo eu; ele chama-se M <3
obrigada por tudo.
este é sem duvida alguma, o teu melhor texto. parabéns pequerrucha (L)
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