As mãos tremiam-lhe e não conseguia abrir a boca; sabia exactamente a dificuldade que teria para articular as palavras correctamente, sabia como os olhos se lhe iam encher de lágrimas quando ele lhe confirmasse tudo, ela sabia. O coração batia-lhe, descompassado, com tanta intensidade que lhe causava dor, mas ela sabia por antecipação que tudo isso ia acontecer. Ela soubera não por ele mas por outros; e tudo o que sentia agora era raiva. Ela sabia, mas não porque ele se preocupara em dizer-lhe, e se dependesse dele, nem saberia. Depois de tanto tempo, mesmo que a raiva estivesse a remoê-la por dentro, ela precisava de fazê-lo, falar-lhe, vê-lo outra vez. Seria inevitável, mais tarde ou mais cedo teria de ser e se há coisa que ela não consegue, é ficar calada. Tinha que ser. Nunca iria conseguir conter-se, as meias palavras não fazem parte do seus vocabulário, ás vezes é vaga demais, ás vezes deixa-se controlar demasiado pelas emoções; respirou fundo – porque a voz dele sempre conseguiu tirá-la do sério - “estou?” de repente ficou com um nó na garganta. Ele não se perdia nas palavras enquanto falava, não tremia, as palavras não brilhavam enquanto tentava parecer culto ao contar as coisas, ele não estava concentrado nela, nem sequer estava nervoso, muito menos aparentava dor. Ela era-lhe indiferente.
Não aguentou por muito tempo, pois claro. Não lhe era impingido que permanecesse com o telemóvel ligado, não era sequer como uma conversa cara a cara, ela podia simplesmente desligar-lhe e ponto. Desligou. As lágrimas começaram a jorrar-lhe pelas faces, já não era raiva que sentia; a dor de sentir que já nada existia sobrepunha-se a qualquer coisa. Então lembrou-se. Lembrou-se de todo o caminho que percorreram, em tão pouco tempo. Lembrou-se do quanto ele era fraco e de como ela aguentou tudo sozinha. Lembrou-se de o ver ir-se embora inúmeras vezes e logo depois voltar outras tantas, sempre com as mesmas palavras doces e intensas que lhe davam sempre a volta. Lembrou-se de estar sempre do lado dele, disposta a correr riscos e transpor qualquer obstáculo para poder estar com ele. Lembrou-se de como se preocupava com ele, enquanto ele se preocupava apenas consigo próprio. Lembrou-se de o ver chegar inúmeras vezes só para poder voltar a partir. Lembrou-se de que sempre estivera ali, á espera, enquanto ele oscilava, indo e vindo. E no fim, lembrou-se que ela foi superior, sempre lá, a cumprir as promessas e a ser sempre sincera, coisas que não estavam na natureza dele. E, então, deu-se conta de que quem desiste sem conhecer o fim não merece guardar as memórias do caminho.
tenho uma condição si ne qua non, ou explicas tudo correctamente ou nem vale a pena tentares dizer mais nada.
sinto-a a com o coração estragado. é muito dificil de interiorizar, mas tudo com o tempo passa. amor com amor se cura. força :)
ResponderEliminaradorei o teu comentario, obrigada!
ResponderEliminargostei muito deste teu espaçinho *.*
força querida :)**
ResponderEliminarobrigada por seguires.
ResponderEliminaradoro particularmente este teu texto. Está lindo.
segui também*