19 de abril de 2013

Cartas trocadas

Ontem vi-te de mãos dadas com outro rapaz. Ele era tão… sei lá… perfeito. Mas ele segurava as tuas mãos da maneira errada e deixou-te andar do lado de fora do passeio. Olha, eu sei que fui eu que acabei contigo dizendo que queria curtir a vida. E curti… curti muita merda, muito choro e muita gente a dizer o idiota que eu sou. Eu podia ter-te feito tão feliz... Eu deveria ter sujado a tua boca com gelado, devia ter-te pagado ao colo e atirado pro sofá só pra te encher de beijos. Lembraste quando cortaste o cabelo e eu não disse nada? Pois… Devia ter-te dito que aquele corte te deixou ainda mais linda e que quando o vento batia nos teus cabelos e olhavas para baixo eu tinha certeza de que queria ficar contigo para sempre. Eu não estou a mentir. Tentei imensas vezes ganhar coragem para vir falar-te. Insulta-me, vá! Chama-me burro. Chama-me burro por não ter visto que o teu sorriso era o mais lindo do mundo, por não ter visto a curva das tuas pestanas que quase tocava as tuas sobrancelhas e o quão perfeitos são os teus olhos. Bate-me, anda. Bate-me por te ter feito chorar. Vá! Bate-me, por favor. Faz-me lembrar que adoravas chocolate preto e eu não te comprava nenhum. Discute comigo por nunca ter usado a camisola que me deste. Eu deveria ter segurado a tua mão com força. Devia ter beijado a tua testa enquanto podia. Devia ter aberto a porta do carro pra tu puderes entrar em vez de sair sem ti. Todas as tardes que passei a jogar jogos de vídeo, devia ter deixado tudo de lado e ter ido a correr pra te ver sorrir. Eu nunca percebi a maneira como mexias os dedos um de cada vez e que aquele “nada”, eras só tu a explodir de ciúmes. Eu nunca deveria ter largado a tua mão para segurar o copo de bebida, nunca. Eu não quero que me desculpes, eu não mereço. Eu só vim aqui ver se estás com alguém porque eu quero dar um soco na cara dele. Percebes? Vês? Eu a ser ridículo outra vez. Mas eu não consegui ver-te agarrar a mão de outro. Apertaste-a da mesma forma que apertavas a minha? Mordeste-o? E aposto que ele não te resmungou, como eu costumava fazer… Diz-me só que lhe mordeste o pescoço e que ele te fez cócegas e disse que te ama. Diz-me só isso, que ele te faz feliz. Olha, se já não me amas, tudo bem, podes mandar-me dar uma volta. Mas se ainda te lembras do dia que eu te abracei e disse o quanto te amava, e da maneira estupidamente apaixonada como me fizeste sentir durante todo esse tempo. Quando te pedi pra seres minha namorada e tu disseste prontamente que sim, então por favor, se te lembras desse dia, sorri pra mim, só mais uma vez. Eu juro que te esqueço, que não te chateio mais e paro de mandar sms em todas as horas iguais, mas sorri pra mim. Deixa-me, pelo menos só mais esta noite, dormir feliz por te ter visto sorrir. Eu vou embora… E desculpa-me, eu não mereço nem um só sorriso teu.





foram tempos...

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