Lembra-te das pessoas de quem
mais gostas. Onde é que elas estão? Talvez tenhas a tua irmã ou irmão no quarto ao
lado, os teus pais no sofá, a ver tv. O teu amor talvez esteja numa outra
cidade? Do outro lado do mundo? Já pensaste bem que quaisquer palavras que
digas a essas pessoas podem ser as últimas que lhes diriges? Aquele último
beijo, antes de saíres do carro, pode ter sido mesmo o último. De sempre. Que o
teu “morre!”, no meio de uma discussão mais acesa, pode ser acedido? Já pensaste
nisso? Já imaginaste, em algum momentinho da tua vida atarefada, que podes
nunca mais voltar a ver a pessoa que amas?
A quem quero enganar? É claro que
não pensamos nestas coisas, estamos demasiado ocupados nas nossas rotinas apressadas que não há tempo sequer para pensar em despedidas sentidas. Ficámo-nos
por um “adeus, até loguinho então” e pronto. Seja o último ou não, não há volta
a dar. Já estamos presos a esta aceitação estúpida. Estamos programados para tomar
tudo como certo, para achar que tudo o que temos, está garantidíssimo. Oh… doce
engano. Mas vê, como seria importante! De que serve toda uma linda história de
amor, cheia de memórias alegres. Valerão os momentos excelentes? Todas as músicas
que te dedicou, todas as vezes que disse sentir a tua falta, se a última coisa te
disse foi “Xau”. Só assim, seco. Cirúrgico. Como um bisturi que te faz
cortes no corpo, bem devagar. Como que a certificar-se que magoa e magoa a
sério.
Não quero acreditar, tento viver
assim despreocupadamente, mas o destino impinge-me a verdade, em murros pesados,
que me magoam diretamente no coração e fazem as lágrimas correr-me pelo rosto. E
se foram estas, as últimas palavras que lhe disse? Serei obrigada a viver para
sempre com a culpa de não ter feito mais do que pedir que não fosse?
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